TODAS AS DICAS
INÍCIO DICAS

22 de abril de 2019

Travessia da Serra Fina: o Trekking mais desafiante do Brasil

CONFIRA

Quem pratica trekking já ouviu falar do trekking da Serra Fina, com certeza. Localizada entre as cidades de Passa Quatro e Itamonte, esta travessia habita o imaginário de muita gente. Desde muito tempo ela recebeu o carinhoso título de “A travessia mais difícil do Brasil” e o mantém até hoje, mesmo com algumas controvérsias…

É um trekking difícil? Sim!
É pra qualquer pessoa? Não!

Mas, por que a travessia da Serra Fina é tão difícil assim?

São vários os motivos que dão esse título a ela. Um deles é a navegação, que, no início da exploração turística na região, era BEM complicada. Hoje ainda é, mas bem menos.

O frio lá é de congelar os ossos. Subo montanhas de 6.000 metros de altitude pelos Andes e não sinto um frio igual ao da Serra Fina, que além de fria é úmida. Pra vocês terem uma noção, estão querendo dar o título de “local mais frio do Brasil” ao Vale do Ruah.

Apesar do nome “Mantiqueira” significar “Serra que Chora”, a Serra Fina tem poucos pontos de água. Isso faz com que você tenha que carregar uma boa quantidade deste precioso líquido com você (cerca de 5 litros por pessoa por dia). Se não ficou claro o perrengue da água, lembre-se que 1 litro = 1 kg 😊

Por dentro da Travessia da Serra Fina

Dia 1 – Toca do Lobo / Alto do Capim AmareloTravessia da Serra Fina: Toca do Lobo

O trekking começa na Toca do Lobo, local onde abastecemos o primeiro litro de água.

Esse primeiro trecho tem cerca de uma hora de subida em meio a uma mata cerrada, já beirando os campos de altitude, nada muito difícil, sempre nos aproximando da crista da montanha.

E quando chegamos nessa tal crista, percebemos o porquê da serra ser fina. Andamos até o cume do Capim Amarelo por essa fina linha de montanha.

Encarando sempre esta gigante montanha, passamos pelo famoso Passo dos Anjos, que é um local incrível, onde vemos o cume do Capim e o começo da trilha, com uma visão perfeita de todo o caminho percorrido e o que ainda virá pela frente.

Travessia da Serra Fina: Cume do Capim AmareloTravessia da Serra Fina: Alto do Capim AmareloCom um ponto de água no meio do caminho, você deve ter em mente que deve se abastecer completamente de água, pois cozinhará à noite e andará o dia seguinte todo até o final do dia só com esta água.

O cume do Capim Amarelo é um lugar mágico, de onde você pode ver o Marins e o Itaguaré, curtir um pôr do sol insano e ver o sol nascendo atrás da Pedra da Mina, objetivo do próximo dia.

Se o cume estiver cheio, continue por mais uma hora e você chegará no Maracanã, um vale, com uma graaaaande área para acampamento.

Dia 2 – Alto do Capim Amarelo / Pedra da Mina

Comece esse dia cedo, vendo o nascer do sol e tomando um cafezinho preto #FikDik. Esse costuma ser o dia mais difícil da travessia, pois é longo e com muitas subidas e descidas.

Travessia da Serra Fina: Pedra da Mina

Deixando o Capim Amarelo pra trás, vamos descendo em vales e subindo alguns pequenos cumes até realmente encarar a Pedra da Mina, que é a 4ª maior montanha do Brasil.

De longe parece que é um trekking fácil e que atacar o cume dela vai ser tranquilo, mas reavalie essa sua impressão. Esse gigante tem uma rampa de pedra bem inclinada e você vai gastar umas boas calorias pra atacar o cume.

Falando em cume, se você resolver dormir nele, é bom abastecer de água na base da Pedra da Mina. Se for continuar pro próximo acampamento (Vale do Ruah), lá tem água em abundância.

A Pedra da Mina tem 3 acampamentos:Travessia da Serra Fina: Cume Pedra da Mina

  1. Cume: Que é pequeno e bem exposto ao vento.
  2. Ombro: Que só vale a pena se você subiu pelo Paiolinho*.
  3. Vale do Ruah: Que é ótimo, pois tem água, é abrigado do vento, mas é insanamente frio.

*Muita gente sobe a Pedra da Mina pelo Paiolinho, que nós usamos com zona de escape em caso de acidente ou de tempestade. É uma trilha que sai de uma fazenda e sobe direto pra Pedra da Mina, sem passar pelo Capim Amarelo. Ir pra esse acampamento fazendo a travessia fará com que você saia completamente da rota.

Dia 3 – Pedra da Mina / Pico dos Três Estados

Ao sair/passar pelo Vale do Ruah, abasteça tudo que você tiver de recipiente com água. Os próximos dois dias de trekking serão sem acesso nenhum a água.

Travessia da Serra Fina: Pico dos Três EstadosAliás, cruzar o Vale do Ruah é uma experiência incrível! Um pântano num vale entre montanhas, com um rio serpenteando, capim elefante de 2 metros de altura e caminhos que seguem em todas as direções. Um lugar mágico, frio e que oferece um bom risco de se perder (emocionante… hahahahaha).

Com um dia mais curto de caminhada (mas não menos difícil), as belezas da serra vão enchendo os olhos (e o cartão de memória da câmera). Chegar no Pico dos Três Estados não levará o dia todo e, com certeza é o cume mais bonito pra se dormir.

Com bastante vento, essa montanha está na tríplice fronteira entre SP/MG/RJ. O pôr do sol é um show a parte. Se estava bonito nas outras montanhas, nessa daqui é pra parar tudo que estiver fazendo só pra apreciar o sol se pondo no vale.

Incrível também é conseguir ver as montanhas do Parque Nacional de Itatiaia, como Agulhas Negras, Prateleiras e Couto beeeeeem pequenas.

Travessia da Serra Fina: Parque Nacional de Itatiaia

Dia 4 – Pico dos Três Estados / Sítio do Pierre

Esse último dia é curto e fácil, sem grandes problemas, exceto pelo bambuzinho. Se você estiver carregando o seu isolante pra fora da mochila, dê um abraço nele antes de prendê-lo, porque provavelmente ele não sairá ileso. Durante todo o trajeto, você vai passar por bambuzinhos atravessados no meio da trilha e eles vão raspar em você e nos seus equipamentos. Provavelmente você ficará com os braços bem marcados e terá seu isolante rasgado (recomendo o uso de camisetas de manga longa).

Chegando no cume dos Ivos, a última grande montanha, você poderá olhar para trás e ver algumas montanhas que passou, uma vista sensacional e um ótimo momento pra agradecer.

Chegando no sítio do Pierre, você consegue pegar água, mas, não se anime, ainda tem cerca de 40 minutos de estrada de terra até chegar na rodovia que liga Itamonte à Garganta do Registro, e é lá que termina a travessia.

A Travessia da Serra Fina é um desafio, recomendado pra quem está com ótimo condicionamento físico, equipamentos adequados e experiência em trekkings de longa duração. É um lugar inóspito, que demanda uma logística impecável, principalmente se for em feriados.

E aí, que tal encarar esse trekking? Se você já encarou esse desafio, deixe seu comentário aqui embaixo e conta pra gente como foi!

Bruno de Masredon Parceiro técnico - Agência Aventurista

Bruno de Masredon, da agência Aventurista.
www.aventurista.tur.br 

Quer saber mais sobre trilha e trekking? Acesse todas as nossas dicas e conselhos!

PRODUTOS RELACIONADOS

VER PRODUTOS PARA Trilha e Trekking
Bota feminina de trekking Trek 500

COMENTÁRIOS (1)

Uma resposta para “Travessia da Serra Fina: o Trekking mais desafiante do Brasil”

  1. Ingrid disse:

    Incrível!
    Com certeza vai entrar pra minha lista de objetivos futuros

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

AVALIE ESTA DICA

DICAS RELACIONADAS

EVENTOS RELACIONADOS